sábado, 24 de outubro de 2009
Pequeno Irmão - Cory Doctorow - Introdução
Eu escrevi Pequeno Irmão em um ataque de fúria entre 7 de maio de 2007 e 2 de julho de 2007; exatamente oito semanas desde o dia em que comecei e o dia que terminei. (Alice, para quem o livro é dedicado, teve que me agüentar digitando o capitulo final às 5 da manhã em nosso hotel em Roma, onde celebrávamos nosso aniversário de casamento.)
Sempre sonhei com um livro assim, que se materializasse, pronto, saindo da ponta dos meus dedos, sem suor, sem sofrimento - mas não foi exatamente tão divertido quanto eu pensei que seria. Houve dias que escrevi 10.000 palavras, debruçado sobre meu teclado em aeroportos, em trens, em táxis - qualquer lugar que eu pudesse digitar.
O livro tentava sair da minha cabeça, não importando que para isso eu deixasse de dormir, perdesse refeições e que meus amigos começassem a perguntar se eu estava com problemas.
Quando meu pai era um jovem estudante universitário em 1960, ele era um dos poucos sujeitos da contracultura que pensava que os computadores eram algo de bom. Para a maioria dos jovens daquela época, os computadores representavam a desumanização da sociedade. Os estudantes da universidade seriam reduzidos a números em um cartão perfurado, onde estava escrito ‘Não curve, não fure, não dobre ou rasgue’, levando a alguns estudantes usarem um broche onde se lia ‘Sou um estudante, não curve, não fure, não dobre ou rasgue. ’ Computadores eram vistos como um meio para facilitar com que as autoridades dominassem o povo, fazendo-o obedecer às suas vontades.
Quando eu tinha 17 anos, o mundo parecia caminhar para ser mais livre. O muro de Berlin estava prestes a cair. Computadores - que tinha até então sido uma coisa de nerds esquisitos - estavam em toda parte e o modem que eu usava para me conectar com BBS (Bulletin board system) locais agora permitia que me conectasse com o mundo inteiro através da Internet e de serviços online como ‘GEnie’. Minha longa experiência de vida como um ativista sofreu uma aceleração absurda quando vi que o principal problema com o ativismo, a organização, estava se tornando mais fácil. (Ainda me lembro da primeira vez que passei a usar um banco de dados de mail-list ao invés dos endereços de correspondência escritos a mão). Na União Soviética as ferramentas de comunicação eram usadas para levar informação - e revolução - aos cantos mais distantes do maior estado autoritário que o planeta já viu.
Porém, 17 anos depois, as coisas estão bem diferentes. Os computadores estão sendo utilizados para nos espionar, nos controlar e nos espiar. A Agência de Segurança Nacional (NSA) tem ilegalmente usado grampos telefônicos para gravar todo o EUA e ainda o fazem. Companhias de aluguel de veículos, de transporte de massa e autoridades de trânsito observam nossos movimentos, agindo como delatores para bisbilhoteiros, policiais e bandidos que conseguem informações nossas através de acesso a bancos de dados.
A Administração de Segurança dos Transportes mantém uma lista de pessoas que, apesar de nunca terem sido presas por qualquer crime, são consideradas perigosas demais para voar. O conteúdo desta lista é secreto. A orientação que a criou é secreta. O critério para ser adicionado a esta lista é secreto. Nesta lista existem crianças de 4 anos, e senadores Americanos e veteranos condecorados - heróis de guerra.
Quem tem 17 anos hoje em dia, entende facilmente como um computador pode ser perigoso. Eles nasceram sob o pesadelo do autoritarismo dos anos 60. As sedutoras caixinhas sobre suas mesas e em seus bolsos acompanham cada movimento que fazem, os encurrala, sistematicamente os impede de alcançar a liberdade que eu gozei na minha juventude.
E tem mais: as crianças são claramente usadas como cobaias de um novo tipo de Estado tecnológico que está se aproximando, um mundo onde tirar uma foto será tanto pirataria (em um cinema, museu ou até mesmo na Starbucks) quanto terrorismo (em um espaço público), mas onde podemos ser fotografados, seguidos e catalogados centenas de vezes por dia por cada ditadorzinho, policial, burocrata e dono de loja. Um mundo em que qualquer medida, incluindo tortura, pode ser justificada apenas agitando as mãos e gritando ‘Terrorismo! 11/9! Terrorismo!’ até que todos aqueles que discordam sejam calados.
Não precisamos ir por este caminho.
Se você ama a sua liberdade, se você pensa que a privacidade dignifica a condição humana, luta pelo direito de ficar em paz, pelo direito de explorar suas idéias (por mais malucas que sejam) desde que não magoe outras pessoas, então você tem uma causa pela qual lutar, pelas crianças que têm seus web-browsers (navegadores) e celulares usados para prendê-los e segui-los por ai.
Se você acredita que podemos consertar o que está errado com diálogo - ao invés de censura - então você está no caminho certo.
Se você acredita em uma sociedade com leis, um lugar onde nossos legisladores precisam nos dizer as regras, e tem que seguir também estas leis, então você é parte da luta para que todas as crianças possam viver sob os mesmos direitos que os adultos.
Este livro tenciona ser parte da discussão sobre o significado de uma sociedade de informação: ela pressupõe o controle total ou a liberdade? Não se trata de um substantivo, mas de um verbo. Algo que você faz.
FAÇA ALGUMA COISA!
Este livro tem a intenção de ser algo que você possa fazer, não somente algo para ser lido.
A tecnologia que aparece neste livro é real ou quase. Você pode construí-la. Pode dividi-la com outros, e transformá-la (veja A COISA DOS DIREITOS AUTORAIS aí embaixo). Você pode usar as idéias para incendiar discussões importantes para acabar com a censura e ter uma Internet livre, mesmo que seu governo, seu patrão ou seu colégio não queiram.
FAÇA!
O pessoal do ‘Instructables’ criou alguns manuais sobre como construir a tecnologia neste livro. É fácil e muito divertido. Não há nada que recompense tanto no mundo quanto fazer coisas que tornam as pessoas mais livres. http://www.instructables.com/member/w1n5t0n/
Discussões: Há um manual do educador para este livro, que o meu editor, Tor compilou com toneladas de idéias para serem usadas na sala de aula, para ler em grupo e em discussões caseiras.
Combater a censura: O epílogo deste livro traz vários recursos para ampliar sua liberdade online, bloqueando bisbilhoteiros e impedindo bloqueio de conteúdo. Quanto mais gente souber disso, melhor.
SUAS HISTÓRIAS
Estou juntando histórias de pessoas que usaram a tecnologia para vencer quando confrontados com uma autoridade abusiva. Vou incluir as melhores histórias em um epílogo especial da edição britânica (veja abaixo) deste livro, e vou colocá-las online também. Enviem suas histórias para doctorow@craphound.com com o assunto "Abuses of Authority" (Abusos de Autoridade).
GRÃ-BRETANHA
Sou canadense e morei em diversos lugares (incluindo São Francisco, o cenário de Little Brother), e hoje vivo em Londres, Inglaterra, com minha esposa Alice e nossa pequena filha Poesy. Moro na Inglaterra há cinco anos e penso que amo este pais, mas tem uma coisa que sempre me incomodou: meus livros não estão disponíveis aqui. Algumas lojas mantêm estoques importados dos EUA, mas eu não tenho uma editora britânica.
Mas isso mudou! A HapperColins Inglesa comprou os direitos deste livro (assim como do meu próximo livro, ‘For the Win’) e ele será publicado pouco depois da edição Americana, em 17 de Novembro de 2008 (um dia depois da minha volta da lua-de-mel!)
Fico muito contente com isso. Não apenas por finalmente ter meus livros vendidos na terra que escolhi viver, mas também porque estou criando uma filha aqui, caramba, e a vigilância e a mania por controle neste país começa a dar nos nervos! Parece que a polícia e o sistema de governo se apaixonaram pelo reconhecimento por DNA, impressões digitais e gravação de vídeo de todos aqueles que algum dia possam fazer algo de errado. No começo de 2008, a autoridade maior da Scotland Yard (polícia inglesa) propôs seriamente que se coletasse o DNA de crianças de 5 anos que se mostrassem perigosas, pois elas cresceriam e provavelmente se tornariam criminosos. Na semana seguinte a polícia londrina espalhou pôsteres sugerindo que todas as pessoas que podem pagar por pequenas câmeras de vigilância são, provavelmente, terroristas.
A América não é o único país que perdeu a cabeça na ultima década.
Precisamos ter esta conversa com todo o planeta.
Como eu disse, a edição britânica estará à venda em 17 de Novembro (ISBN: 978-0-00-728842-7).
Ainda haverá uma edição limitada, com uma capa diferenciada, para as pessoas que enxergam os livros como se fossem itens de coleção. Se quiser saber mais detalhes, escreva um email para doctorow@craphound.com o assunto ‘LITTLE BROTHER UK EDITION’.
OUTRAS EDIÇÕES
Meu agente Russel Galen (e seu assistente Danny Baror) fez um excelente trabalho na pré-venda de direitos de ‘Little Brother’ em vários idiomas e formatos. Informações mais atualizadas você encontrará em http://craphound.com/littlebrother/download.
Audiobook da Random House.
Uma das condições do meu contrato com a Random House era de que eles não poderiam disponibilizar o áudio-livro usando do sistema ‘DRM’ (Digital Rights Management), que pretende controlar o uso e a cópia. Isso quer dizer que você não encontrará o áudio-livro de Little Brother para Audible e iTunes, pois a Audible se recusa a vender livros sem o sistema DRM (mesmo que o autor não queira) e iTunes só funciona com áudios-livro da Audible. De qualquer maneira, você pode comprar o arquivo em formato MP3 diretamente da RandomHouse.
Meu agente para direitos no estrangeiro já pré-vendeu edições para a Grécia, Rússia, França e Noruega. Não tenho as datas de lançamento, mas eu informarei através do site quando estiver disponível. Você também pode se inscrever na minha mala-direta, para maiores informações.
A COISA DOS DIREITOS AUTORAIS
A licença da Creative Commons que utilizo no meu livro ‘Little Brother’ provavelmente serve como dica de que eu tenho uma visão um pouco não-ortodoxa sobre direitos autorais. Aqui vai o que eu penso a respeito disso, em poucas palavras: Com apenas um pouco se chega longe, mais do que isso é exagero.
Gosto do fato de que os direitos autorais me permitem vender os direitos para meus editores e para a indústria de cinema e por ai vai. É bom, pois eles não podem simplesmente pegar minhas coisas sem permissão e ficarem ricos com isso sem me dar uma parte disso. Tenho plenas condições para negociar com estas companhias, possuo um bom agente e uma década de experiência com leis de direito autorais e licenciamento (inclusive no cargo de delegado da WIPO, uma agência da UN que trata sobre ameaça aos direitos autorais mundiais). Além do mais, mesmo se eu vender cinqüenta ou cem edições diferentes de Little Brother (o que seria estar no topo, um milionésimo de toda ficção vendida) ainda assim teria uma centena de negociações que eu precisaria gerenciar.
Odeio o fato de que fãs que querem fazer aquilo que os leitores sempre fizeram, tenham que jogar pelas mesmas leis que todos aqueles poderosos agentes e advogados. É uma coisa estúpida dizer que uma classe escolar tenha que falar com um advogado de uma empresa global gigantesca, para encenar uma peça sobre um livro meu. É ridículo dizer que pessoas que querem emprestar uma cópia eletrônica do meu livro para um amigo, precisem de uma licença para isso. Emprestar livros é algo mais antigo do que qualquer editor no planeta e é uma coisa bacana!
Recentemente vi Neil Gaiman dar uma entrevista em que respondia para alguém como ele se sentia a respeito da pirataria de seus livros. Ele disse, ‘Levante a mão se você descobriu seu escritor favorito de graça, por que alguém te emprestou uma cópia ou ganhou de alguém? Agora levante a mão se você descobriu seu escritor predileto numa prateleira de livraria e teve que pagar por isso’.
A audiência preponderante disse ter descoberto seus autores prediletos de graça, por ter ganhado um livro ou recebido emprestado. Quando se trata dos meus escritores preferidos não há limite. Comprarei sempre cada livro que eles publicarem, apenas para tê-los. (Às vezes compro mais do que um, apenas para poder presentear amigos que eu penso que precisam ler aquele livro!) Pago para vê-los vivos. Compro camisetas com a capa dos livros impressas.
Neil continuou dizendo que é parte de uma tribo de leitores, uma pequena minoria de pessoas pelo mundo que têm prazer ao ler, e compram livros porque amam livros. Uma coisa que ele sabe sobre as pessoas que baixam seus livros na Internet sem permissão é que são leitores, pessoas que amam os livros.
Aqueles que estudam os hábitos de pessoas que compram música descobriram algo curioso. Os maiores piratas são também aqueles que mais gastam. Se você pirateia música a noite toda, existe a chance de que você também seja uma dessas poucas pessoas que vão a uma loja de discos (lembra-se delas?) durante o dia.
Você provavelmente vai a shows no fim de semana, e provavelmente acompanha música. Se você é membro de uma tribo de viciados em música, você faz coisas que têm a ver com a música, desde cantar no chuveiro a pagar por uma cópia em vinil de um raro disco pirata vindo do leste europeu, de uma das suas bandas favoritas de death-metal.
A mesma coisa acontece com os livros. Trabalhei em livrarias, sebos e bibliotecas. Já acessei sites piratas de e-books (‘bookwarez’?) on-line. Sou um viciado em livros e vou a feiras de livros por diversão. E sabe o que mais? São as mesmas pessoas em todos estes lugares: Pessoas que amam os livros e que fazem tudo que se pode fazer com um livro. Eu compro edições malucas, edições horríveis chinesas dos meus livros prediletos, por que são malucas e horríveis e ficam muitos bem entre as outras oito ou nove edições que eu paguei destes mesmos livros. Procuro por livros na biblioteca, no Google, quando preciso de uma citação, carrego uma dezena deles no meu celular e centenas no meu laptop e tenho (hoje) mais de 10.000 livros guardados em um armazém em Londres, Los Angeles e Toronto.
Se eu pudesse emprestar todos os meus livros físicos, sem abrir mão da posse deles, eu o faria.
O fato de eu poder fazer isso com uma cópia digital não é um erro. É uma característica e uma das melhores.
Fico embaraçado ao ver todos estes escritores e músicos e artistas expressando pesar pelo fato de que a arte possui esta incômoda característica, esta capacidade de ser compartilhada. É como assistir donos de restaurante chorando por causa da nova máquina de comida grátis e que irá alimentar um mundo de gente faminta, e por que ela os forçará a reconsiderar seus modelos de negócios. Sim, irá requerer muito deles, mas não vamos perder de vista o que mais interessa: Comida grátis!
O acesso universal ao conhecimento da humanidade está em nossas mãos pela primeira vez na história do mundo. Isso não é algo ruim.
No caso de não ser o bastante para você, aqui está o que considero a minha grande jogada, o porquê dar e-books faz sentido hoje.
Dar e-books me proporciona uma satisfação artística, moral e comercial. A questão comercial é aquela que mais freqüentemente vem à tona: como dar seus livros de graça e ainda assim ganhar dinheiro?
Para mim, e para a maioria dos escritores, o grande problema não é a pirataria, mas o anonimato. (Agradeço a Tim O’Reilly por este precioso aforismo).
Todas as pessoas que deixam de comprar um livro hoje, na maioria, não o compram por nunca terem ouvido falar que ele existe, não por que ganharam uma cópia de graça. Os mega-hiper-mais-vendidos livros de FC vendem meio milhão de cópias - em um mundo em que um evento como a San Diego Comic Con sozinho recebe 175 mil pessoas, dá para imaginar que a maioria das pessoas que gostam de FC (e junto a isso coisas como quadrinhos, games, Linux e por ai vai) na verdade não compram livros. Meu interesse maior é trazer maiores audiências para dentro deste círculo, mais do que garantir que cada um compre um ingresso para entrar.
E-books são verbos, não substantivos. Você os copia, é da natureza deles. E muitas das cópias têm um destino, uma pessoa para a qual elas foram planejadas, uma transferência manual de uma pessoa para outra, guardando uma recomendação intima entre duas pessoas que confiam umas na outras o suficiente para trocar bits. Este é o tipo de coisa com que os autores (deveriam) sonham. Fazendo meus livros disponíveis para serem passados à frente, torno mais fácil para as pessoas que gostam deles ajudarem a outras pessoas a também gostarem deles.
E tem mais: eu não vejo e-books substituindo os livros de papel para a maioria das pessoas. E não por que a tela do monitor não seja boa o bastante; se você for como eu, você já deve passar horas em frente a uma, lendo textos. Mas por mais que você goste desta ‘literatura de computador’, menos provavelmente você irá ler longos textos na tela, por que as pessoas que gostam de ficar na frente da tela fazem muitas outras coisas ao mesmo tempo. Nós estamos no Messenger, escrevendo e-mail, e usamos os navegadores de um milhão de maneiras diferentes. Temos os games rodando por detrás e infinitas possibilidades de músicas para ouvir.
Quanto mais coisa você faz com seu computador, você se dedica a menos coisas, pois a cada seis ou sete minutos começa algo diferente. Isso faz com que o computador seja um meio extremamente ineficaz para longas leituras, a não ser que você possua a autodisciplina de um monge.
A boa notícia (para os escritores) é que isso significa que os e-books acabam sendo um incentivo a comprar o livro impresso (que é, afinal de contas, mais barato, fácil de ter e de usar) do que o seu substituto.
Você provavelmente vai ler o bastante do livro na tela para perceber que precisa o ler no papel.
Então e-books vendem livros. Todo escritor que eu soube que distribuiu e-books para promover seus livros voltou a fazê-lo de novo. Este é o lado comercial de dar e-books de graça.
Agora o lado artístico. Estamos no século vinte e um. Copiar coisas nunca mais será mais difícil do que já é hoje (se isso acontecer será por que a civilização chegou ao seu fim e neste ponto, este será o menor dos problemas) Discos rígidos não serão mais enormes, caros ou com menor capacidade. As redes não serão mais lentas e difíceis de acessar. Se você estiver fazendo arte sem levar em consideração de que ela será copiada, então realmente você não estará fazendo arte para o século vinte e um. Existe algo encantador sobre fazer um trabalho que você não quer que seja copiado, da mesma maneira que é legal ir até uma vila dos pioneiros e ver como o ferreiro colocava ferraduras em um cavalo em sua forja tradicional. Mas dificilmente você vai achar que isso possa ser contemporâneo. Sou um escritor de ficção cientifica. É o meu trabalho escrever sobre o futuro ou ao menos sobre o presente. Arte que não se supõe ser copiada é coisa do passado.
Finalmente, vamos ver pelo lado moral. Copiar é natural. É como nós aprendemos (copiando nossos pais e as pessoas ao nosso redor). A primeira história que escrevi quando tinha seis anos, era uma versão excitante de Guerra nas Estrelas (Star Wars), que eu acabara de ver no cinema. Agora que a Internet (a mais eficiente máquina copiadora do mundo) se tornou presente em toda parte, nosso instinto de copiar só aparecerá mais e mais. Não há como impedir meus leitores de copiar meus livros e, se eu o fizesse, seria um hipócrita.
Quando eu tinha 17 anos, eu gravava fitas, xerocava livros, tudo que eu podia. Se a Internet existisse na época, eu estaria usando-a para copiar o tanto quanto eu pudesse.
Não há como parar com isso, e as pessoas que tentarem terminar com isso estarão fazendo um mal maior do que a pirataria jamais o fará. A ridícula guerra sagrada da indústria de discos contra aqueles que compartilham arquivos (mais de 20 mil fãs de música processados e contando) exemplifica o absurdo da coisa toda. Se a escolha está entre permitir a cópia ou partir bufando contra tudo e contra todos, eu escolho a primeira.
DOAÇÕES E UMA PALAVRA AOS PROFESSORES E BIBLIOTECÁRIOS
Toda vez que coloco um livro online de graça, recebo emails de leitores que querem mandar-me uma doação em dinheiro pelo livro. Aprecio o espírito generoso destas pessoas, mas não estou interessado em dinheiro de doações, porque meus editores são muito importantes para mim. Eles contribuem imensamente para com o livro, tornando-o conhecido, apresentando-o a outros leitores que eu nunca conseguiria alcançar, me ajudando a fazer mais com o meu trabalho. Não tenho interesse de tirar os méritos deles.
Mas acho que encontrei uma maneira de direcionar esta generosidade para algo positivo.
O negócio é o seguinte: Existe um monte de professores e bibliotecários que adoraria receber exemplares desse livro para suas crianças, mas não tem grana para isso (os professores nos EUA gastam por volta de 1.200 dólares do próprio bolso com material escolar e o orçamento da escola não cobre as despesas ou as reembolsa. Por este motivo eu patrocino uma classe da escola elementar Ivanhoé, na minha velha vizinhança em Los Angeles; você também pode adotar uma classe.)
Existe esta gente toda que generosamente quer me pagar em agradecimento pelos meus e-books gratuitos.
Minha proposta é juntar as duas coisas.
Se você é um professor ou bibliotecário e quer um exemplar em papel deste livro, escreva um email para freelittlebrother@gmail.com, com seu nome e o nome e endereço da sua escola, e eu colocarei em meu site para que potenciais doadores possam ver.
Se você gostou da versão eletrônica do livro e quer doar em retribuição, procure por um professor(a) ou uma biblioteca que queira ajudar. Então entre no site da Amazon, ou na BarnesNoble ou seu site de venda de livros predileto e compre o livro. Mande uma cópia do recibo para freelittlebrother@gmail.com para minha assistente Olga. Se desejar agir de forma anônima e não quiser que saibamos de sua generosidade, agradecemos de qualquer maneira.
Não sei se isso irá terminar com centenas, dezenas ou algumas poucos exemplares sendo enviados desta forma, mas eu tenho grande esperança de que funcione.
DEDICATÓRIA
Para Alice, que me completa.
COMENTÁRIOS
Uma história sobre uma rebelião geek tecnológica é necessária e perigosa como compartilhar arquivos, liberdade de opinião e uma garrafa de água em um avião.
- Scott Westerfeld, autor de UGLIES e EXTRAS
Posso falar sobre Little Brother em termos de especulação política corajosa ou sobre o uso brilhante da tecnologia: cada uma delas faz do livro uma leitura obrigatória. Fiquei assombrado com a universalidade do rito de passagem de Marcus e sua luta, uma experiência que qualquer adolescente hoje irá passar quando chegar o momento em que tiver que escolher seu caminho na vida e como alcançá-lo.
- Steven C Gould, autor de JUMPER e REFLEX
Eu recomendo Little Brother mais do que qualquer outro livro que eu li esse ano e gostaria de colocá-lo nas mãos de tantos meninos e meninas inteligentes de 13 anos quanto eu pude, porque eu penso que isso pode mudar vidas. Porque algumas crianças, talvez poucas, não serão as mesmas após terminar de ler este livro. Talvez elas mudem politicamente, talvez tecnologicamente falando. Talvez seja o primeiro livro de suas vidas que irão amar e que despertarão o geek que vive dentro delas. Talvez elas queiram argumentar ou discordar dele. Talvez elas queiram ligar seus computadores e procurarem o que há por ai. Eu não sei. Ele me fez querer ter 13 anos de novo e poder o ler pela primeira vez, e sair por aí fazendo o mundo um lugar melhor ou ainda mais estranho e esquisito. É um livro maravilhoso e muito importante, na maneira que aborda falhas sem sentido.
- Neil Gaiman, autor de ANANSI BOYS
Little Brother é uma aventura assustadoramente real sobre como a tecnologia pode ser abusiva e utilizada erroneamente para aprisionar Americanos inocentes. Um adolescente se transforma de hacker em um herói que se dispõe a enfrentar sozinho o governo por seus direitos básicos à liberdade. Este livro é um cheio de ação, com histórias de coragem, tecnologia e demonstração de desobediência digital como forma de protesto civil.
- Bunnie Huang, autor de HACKING THE XBOX
Cory Doctorow é um contador de histórias rápido e vibrante que pega todos os detalhes de uma realidade alternativa e oferece um nova visão de como este jogo pode ser jogado no contexto de um ataque terrorista. Little Brother é um romance brilhante com argumentos ousados: jogadores de vídeo-game e hackers podem ser a nossa melhor esperança para o futuro.
- Jane McGonical, Designer, I Love Bees
O livro certo no tempo certo do autor certo - e não inteiramente por coincidência, o melhor livro de Cory Doctorow também
- John Scalzi, autor de OLD MAN'S WAR
É sobre crescer em um futuro próximo em que as coisas continuam indo de um jeito que estão indo hoje e sobre hacking se tornar algo habitual, mas principalmente sobre crescer e de mudar e olhar para o mudo e perguntar o que você pode fazer a respeito. A voz dos adolescentes é perfeita para isso. Não consegui parar de ler e eu amei o livro.
- Jo Walton, autor de FARTHING
Um irmão mais novo e digno para 1984 de George Orwell. Little Brother de Cory Doctorow é vivo, precoce e o mais importante, um tanto assustador.
- Brian K Vaughn, autor de Y: THE LAST MAN
"Little Brother" soa como um aviso otimista. É uma extrapolação a partir de eventos atuais para nos lembrar das ameaças à nossa liberdade. Mas também ressalta que ela ultimamente reside em nossas atitudes e ações como indivíduos. Neste mundo cada vez mais autoritário, eu espero especialmente que os adolescentes e os jovens o leiam e convençam seus iguais, seus pais e professores sobre a necessidade de ficar atentos.
- Dan Gillmor, autor de WE, THE MEDIA
SOBRE AS DEDICATÓRIAS PARA AS LIVRARIAS
Cada capítulo do livro é dedicado a uma livraria diferente. Uma livraria que eu adoro, que me ajudou a descobrir os livros que abriram a minha cabeça, e que me ajudou na minha carreira. Estas lojas não me pagaram nada por isso, eu sequer disse a elas o que faria, mas me pareceu que era a coisa certa a se fazer. Por fim, espero que você leia este e-book e decida comprar a versão em papel, e só faz sentido dizer isso, sugerindo alguns lugares onde você poderá encontrá-lo.
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sábado, 10 de janeiro de 2009
Little Brother - Cory Doctorow

Quando eu era criança, eu via os computadores como ferramentas de libertação.
Quando meu pai trouxe para casa o primeiro PC (um Apple), em 1979, com uma placa modem embutida, minha vida mudou para sempre.
Eu podia ir para lugares, aprender coisas, acessar mais ferramentas, ideías e grupos, mais do que jamais alguém na década passada poderia imaginar.
E com o passar do tempo, a coisa foi ficando cada vez melhor.
As redes ficaram mais rápidas, a quantidade de pessoas com quem eu conseguia me comunicar ficou maior, a capacidade de armazenação ficou mais barata, a variedade de informações cresceu, eu assisti o triunfo da tecnologia, convencido de que minhas amadas máquinas salvariam o mundo, e terminariam com todo autoritarismo e repressão.
Hoje, eu não estou tão certo disso.
Se eu fosse uma criança hoje, eu penso que, com razão, teria medo dos computadores e do que eles podem fazer. Nunca houve tanta ameaça quanto a privacidade e a liberdade das crianças como existe hoje. Companhias especializadas em software de censura de conteúdo, se propõe a bloquear todas as coisas ruins e somente liberar as boas. Não fazem nem uma coisa nem outra.
Não há gente treinada suficiente para catalogar e avaliar cada página da internet, por isso as crianças acabam tendo seu acesso bloqueado a milhões de temas legítimos e sendo expostas a outros milhões bastante perigosos - sem contar o risco de permitir a estas empresas terem um registro de cada página que acessamos da internet.
As crianças são espionadas por controles de qualidade das televisões desde a infância, rastreadas com braceletes GPS desenhados originalmente para vigiar criminosos, vítimas na WEB de pavarosas campanhas de marketing, gravadas e seguidas em lugares públicos. Seus telefones e consoles de video-game tem instalados 'DRM' (controle de direitos digitais) feitos para controlar a cópia e o uso do software - mas que permite monitoramento remoto para impingir políticas em sua propriedade, sem seu consentimento ou conhecimento.
Isso é o bastante para fazer você querer viver em uma caverna.
Mas as crianças estão contra-atacando. Elas entendem que tomando controle de seus aparelhos - dominando os meios de informação - elas podem desequilibrar o balanço de forças a seu favor.
A diferença entre uma distopia como '1984' e uma utopia como 'Eu, o robô', está entre nós controlarmos as máquinas, ou elas nos controlarem.
Nunca antes houve um tempo tão importante para garantirmos nossa liberdade tecnológica.
O fantasma do terrorismo é uma ótima desculpa para sequestrar nosso poder. Arquitetura é política; as máquinas de hoje irão determinar a sociedade em que viveremos amanhã - e foi por isso que eu escrevi 'Little Brother' (Pequeno Irmão); para dar às crianças as ferramentas que elas precisam para tomar para elas o poder que resulta em ser o senhor de suas máquinas, de fazê-las dançar conforme a sua música.
Eu espero que você compartilhe este livro com as suas crianças e eu espero que elas compartilhem com seus amigos, antes que isso se torne algo impossível de ser feito.
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Os melhores livros de Ficção Científica e Fantasia (2000 a 2009)
Mordidos pelo mosquitinho do fim de ano, não podíamos deixar de fazer a nossa lista, com o que de melhor foi publicado em Ficção Científica e Fantasia estrangeira nos últimos dez anos.
Para uma tarefa como esta, coletamos indicações de outras listas, além daqueles livros que incluímos por que gostamos. E como não poderia deixar de ser, tivemos que bolar um critério para explicar por que deixar fulano ou ciclano de fora dela. Bem, deixamos de fora algumas continuações de séries, de space-operas e semelhantes, por achar que não representaram nada de novo, apenas mais-do-mesmo.
Deixamos de fora também nomes do calibre de Gaiman e Rowling, por pensar que já obtiveram exposição o suficiente (e convenhamos, nem sempre por merecimento).
Dos autores com mais de um livro selecionado, escolhemos aquele mais citado, e não incluímos também, livros lançados no segundo semestre de 2009.
Lamentamos somente que não exista, para a maioria destes títulos, qualquer previsão de lançamento no Brasil. Vale lembrar que estamos disponibilizando Little Brother (Pequeno Irmão) de Cory Doctorow, em uma versão própria nossa, um capítulo a cada sábado.
Portanto de hoje até o último dia do ano, estaremos trazendo aqueles que foram os melhores livros de FC e Fantasia na nossa opinião. Esperamos que gostem!
Bones of the Earth (2002) é um romance de ficção científica de Michael Swanwick. Indicado para o Prêmio Nebula, o Hugo, o Campbell, e o Locus Awards.
O paleontólogo Richard Leyster atingiu o auge de sua profissão: uma posição no Museu Smithsonian mais um novo sítio com fósseis de dinossauro para pesquisar, publicar seus trabalhos e aprender. Nada poderia ser melhor - até que um estranho chamado Harry Griffin entra no escritório de Leyster com uma oferta de emprego e uma geladeira portátil.
Nela está a cabeça de um estegosauro recém abatido. A Griffin foi confiado um extraordinário presente; uma tecnologia mantida escondida da humanidade, para uma finalidade não revelada pelos seres conhecidos por alguns poucos como os Imutáveis. A única condição é não alterar a história conhecida. Se o pacto for quebrado, o contrato se torna nulo.
A viagem no tempo se tornou uma realidade, milhões de anos antes do que racionalmente poderia acontecer. Richard Leyster e seus colegas tornam realidade as suas fantasias mais desejadas. Eles estudam os dinossauros de perto, em seu próprio tempo e ambiente. Porém uma palavra errada, um único ato errado, poderia ser desastroso para o projeto e para o mundo. O trabalho de Griffin é fazer tudo dar certo, tudo que supostamente deveria acontecer deve acontecer, não importando quem seja magoado... ou morto.
The Magician's Apprentice (2009) é um romance de fantasia de Trudi Canavan. É o início da história que ocorre centenas de anos antes da trilogia The Black Magician.
Na remota aldeia de Mandryn, Tessia serve como assistente para seu pai, o curandeiro da aldeia - para a frustração de sua mãe, que preferia que ela encontrasse um marido. Apesar de saber que as mulheres não são bem aceites pelo Sindicato dos Curandeiros, Tessia está determinada a seguir os passos do pai. Ao tratar uma paciente na residência do mago local, Senhor Dakon, Tessia é forçada a lutar contra os avanços de um mago visitando Sachakan, e instintivamente usa sua mágica. Como um mágico natural, cujos poderes se manifestam sem serem invocados, o Senhor Dakon legalmente deve levá-la como aprendiz e treiná-la.
Apesar das muitas horas de estudo e auto-disciplina, a vida nova de Tessia também oferece mais oportunidades do que ela jamais esperaria, e um excitante novo mundo se abre para ela. Há roupas finas e servos e viagens regulares para a cidade de Imardin.
Mas junto com o privilégio, Tessia está prestes a descobrir que seus dons mágicos trazem consigo uma grande responsabilidade. Eventos conduzirão as nações para a guerra, magos rivais entrarão em conflito, e um ato inesperado de feitiçaria ocorrerá, tão brutal que seus efeitos serão sentidos por séculos...
Little Brother (2008) de Cory Doctorow é um romance de ficção especulativa, que se passa nos dias atuais. Indicado a diversos prêmios de Ficção Científica, o livro discute com inteligência e linguagem fácil, os impactos do governo em nossas vidas e o preço que estamos dispostos a pagar em nome da segurança.
Na história, um grupo de jovens se vê no centro de um incidente que abalaria o mundo (semelhante ao 11/9), a explosão da ponte da Baia de San Francisco por terroristas. Os jovens são levados presos e submetidos a interrogatórios. Mais tarde, já libertos porém traumatizados pelo desaparecimento de um deles, os jovens percebem que o pesadelo não se limitava ao interior das celas do centro de detenção, mas espreita as esquinas de sua cidade, tomada agora pela polícia e por medidas severas de segurança. O que fazer para garantir que seus direitos não sejam desrespeitados? Como vencer aquilo que não pode ser vencido? A resposta está nas páginas deste ótimo livro de Cory Doctorow e que o Capacitor Fantástico vem trazendo na forma de capítulos (Pequeno Irmão), a cada sábado.
Black Man (2006) de Richard Morgan, é thriller-noir-futuristico, e que levanta questões sobre a natureza da humanidade. Conta a história de Carl Marsalis, uma variante genética conhecida como um "treze" (thirteen), caracterizado pela alta agressividade e baixa sociabilidade.
Criados inicialmente para uso militar, os 'trezes' mais tarde foram confinados em reservas ou exilados para Marte. Carl, tendo vencido por sorteio e ganho o direito de regressar de Marte, trabalha secretamente rastreando 'trezes' renegados. Morgan vai além do clichê do super-homem geneticamente melhorado, para examinar como a personalidade é moldada.
Anathem (2008) é um romance de ficção especulativa de Neal Stephenson que se passa no planeta Arbre. Milhares de anos antes dos acontecimentos do romance, a sociedade estava à beira do colapso. Os intelectuais (filósofos e cientistas) foram viver protegidos em conventos, em comunidades monásticas, mas sem os elementos religiosos. Com um acesso limitado a ferramentas e a tecnologia, eles são vigiados por agentes que servem aos poderosos no mundo exterior (conhecidos como o Poder Secular).
O narrador e protagonista é Erasmas Fraa. Sua professora, Orolo, descobre que seres extraterrestres estão orbitando Arbre, fato que o Poder Secular está tentando encobrir. Orolo secretamente observa os estrangeiros ilegalmente e Erasmas pede para ajudar a recolher estes dados.
Após o banimento de Orolo, o Poder Secular, juntamente com vários outros membros do governo, exigem que Erasmas ajude com um projeto secreto, quando a presença da nave alienígena se torna de conhecimento público.
Grande parte do livro é dedicado a discussões de matemática, física e filosofia.
Um livro singular, um desafio ao leitor que penetra o mundo labirintico e erudito deste premiado autor.
The Road (2006) é um romance pós-apocalíptico de Cormac McCarthy. Uma viagem empreendida por um pai e seu filho, durante um período de vários meses, através de uma paisagem devastada por um cataclisma sem nome, que destruiu toda a civilização e quase toda a vida na Terra.
O romance foi premiado com o Pulitzer de Ficção e o James Tait Black Memorial Prize.
O cenário é sombrio, o sol é obscurecido por uma camada de cinzas tão grossa que respiram através de máscaras, e as plantas não crescem. Os sobreviventes vivem em meio a violência e ao canibalismo. Percebendo que não vão sobreviver mais a um inverno na cidade, o pai leva-os por uma paisagem desolada para o litoral, sustentado por uma vaga esperança de encontrar outras "pessoas boas".
Em face de todos estes obstáculos, o homem e o menino tem apenas um ao outro. O homem mantém a pretensão, de que existe um núcleo de ética em algum lugar na humanidade.
Old Man's War (2005) é um romance de ficção científica militar de John Scalzi, indicado para o Prêmio Hugo de melhor romance.
A narrativa em primeira pessoa é sobre um velho soldado aposentado chamado John Perry e suas façanhas no CDF (Colonial Defense Forces).
E em um universo densamente povoado por diversas formas de vida, os colonos da Terra devem lutar para conseguir seu sustento.
Old Man's War introduz uma nova forma de viagem interestelar mais-rápida-que-a-luz, chamada Skip Drive. Este mecanismo simplesmente pega um objeto, como uma nave espacial, e cria um buraco no universo e coloca o objeto em seu destino, só que em um universo novo, essencialmente idêntico.
Pattern Recognition (2003), é um thriller de ficção científica de William Gibson, que se passa no mundo contemporâneo. A história segue Cayce Pollard, um consultor de marketing de 32 anos, que tem uma sensibilidade psicológica para símbolos corporativos.
O romance analisa o desejo humano em buscar padrões, ou o significado e os riscos de encontrar padrões em dados sem sentido. Outros temas incluem métodos de interpretação da história, a familiaridade cultural com nomes de marcas, e as tensões entre a arte e a comercialização.
O livro foi indicado para receber o maior prêmio de FC britânica, assim como o prêmio Arthur C. Clarke e Locus.
Evolution (2004) é uma coleção de contos de ficção científica hard de Stephen Baxter, que poderia ser definida no conjunto, como uma saga que conta em episódios a história da humanidade, do início ao fim (?),
de 565 milhões de anos atrás, de proto-mamíferos até 500 milhões de anos no nosso futuro.
O protagonista principal do livro é a evolução em si (apesar dos primatas como grupo, constituirem um outro protagonista). Do aparecimento das primeiras civilizações até a extinção humana (ou a extinção da cultura humana), assim como o fim do planeta Terra e o renascimento da vida em outro planeta.
Spin (2005) é um romance de ficção científica de Robert Charles Wilson, e ganhou o Prêmio Hugo de melhor romance. É o primeiro livro de uma trilogia.
Uma membrana artificial (Spin) foi colocada ao redor do planeta Terra, bloqueando e filtrando radiações e bloqueando a visão das estrelas. A história segue quatro protagonistas principais, cada um dos quais lida, de maneiras distintas, com a certeza de que a humanidade está condenada.
domingo, 25 de janeiro de 2009
Cory Doctorow

Cory Doctorow (17 de Julho de 1971) nasceu em Ontário, Canadá. Jornalista, blogueiro, consultor, escritor de Ficção Científica, cresceu em um ambiente familiar fortemente influenciado por ideías socialistas. Desde muito cedo participou de movimentos pelo desarmamento nuclear e pelo Greenpeace, além de participar de comissões para promoção da justiça social e educação de ativistas. Estudou em escolas não-ortodoxas e passou por quatro faculdades sem se formar.
Cory Doctorow é referência mundial quando o assunto são direitos autorais. Seus trabalhos normalmente tratam de compartilhamento de arquivos pela internet, utopias socialistas e proteção da individualidade.
Em 1999 Doctorow fundou uma empresa (Opencola) voltada para a criação e discussão de software livre e dirigiu a regional do Canadá dos Escritores de Ficção Cientifica e Fantasia (SFFW).
Doctorow trabalhou como coordenador londrino da Eletronic Frontier Foundation, antes de se mudar em 2006, para Los Angeles. Foi professor-palestrante sobre direitos de publicação digital na University of Southern California e recentemente mudou-se para Londres novamente.
Seu primeiro livro, 'Down and out in the Magic Kingdom' foi publicado em 2003, também foi o primeiro de seus livros lançado sob uma licença da Creative Commons. Esta licença permite aos leitores distribuir a edição eletrônica livremente, desde que não seja comercializada ou utilizada para outros trabalhos que não sejam aprovados pelo autor.
Cory ganhou o Prêmio John W.Campbell como Melhor Novo Escritor de 2000, o Prêmio Locus de melhor livro de 2003 ('Down and out in the Magic Kingdom'), o Sunburst de 2004, de Melhor Livro de Ficção Científica Canadense ('A Place So Foreign'). O conto '0wnz0red' foi indicado ao Prêmio Nebula de 2003.
Doctorow lançou em 2008, 'Little Brother', sob licença da Creative Commons.
Fonte Wikipedia
Site CRAPHOUND de Cory Doctorow
Coleção Cory Doctorow [ Download ]
(A place so foreign, Andas Game, Down and out in the Magic Kingdom, Eastern Standard tribe, Home again, home again, Overclocked - I robot, Liberation Spectrum, Little Brother, Printcrime, Return to pleasure island, Scroogled, Shadown of the mothaship, Someone comes to town-someone leaves town, The superman and bugout, Welcome to hard times, Craphound, When Sysadmins ruled the earth, The complete idiot's guide to publish Science fiction)
sábado, 24 de janeiro de 2009
A coisa dos direitos autorais. - Cory Doctorow

A licença da Creative Commons que utilizo no meu livro ‘Little Brother’, provavelmente serve como dica de que eu tenho uma visão um pouco não-ortodoxa sobre direitos autorais.
Aqui vai o que eu penso a respeito disso, em poucas palavras: Com apenas um pouco se chega longe, mais do que isso é exagero.
Gosto do fato de que os direitos autorais me permitem vender os direitos para meus editores e para a indústria de cinema e por ai vai. É algo bom, pois eles não podem simplesmente pegar minhas coisas sem permissão e ficarem ricos com isso sem me dar uma parte disso. Tenho plenas condições, quando me sento para negociar com estas companhias. Possuo um bom agente e uma década de experiência com leis de direito autorais e licenciamento (inclusive no cargo de delegado da WIPO, uma agência da UN que trata sobre ameaça aos direitos autorais mundiais).
Além do mais, mesmo se eu vender cinqüenta ou cem edições diferentes de 'Little Brother' (o que seria estar no topo, um milionésimo de toda ficção vendida) ainda assim teria uma centena de negociações que eu precisaria gerenciar.
Odeio o fato de que os fãs que querem fazer aquilo que os leitores sempre fizeram, tenham que jogar pelas mesmas leis que todos aqueles poderosos agentes e advogados.
É uma coisa estúpida dizer que uma classe escolar tenha que falar com um advogado de uma empresa global gigantesca, para encenar uma peça sobre um livro meu. É ridículo dizer que pessoas que querem emprestar uma copia eletrônica do meu livro para um amigo, precisem de uma licença para isso.
Emprestar livros é algo mais antigo do que qualquer editor no planeta, e é uma coisa bacana!
Recentemente vi Neil Gaiman responder em uma palestra, de como ele se sentia a respeito da pirataria de seus livros. Ele disse: ‘Levante a mão se você descobriu seu escritor favorito de graça, por que alguém te emprestou uma cópia ou ganhou de alguém? Agora levante a mão se você descobriu seu escritor predileto numa prateleira de livraria e teve que pagar por isso’.
A audiência preponderante disse ter descoberto seus autores prediletos de graça, por ter ganho um livro ou recebido emprestado. Quando se trata dos meus escritores preferidos não há limite. Comprarei sempre cada livro que eles publicarem, apenas para tê-los. (As vezes compro mais do que um, apenas para poder presentear amigos que eu penso que precisam ler aquele livro!) Pago para vê-los vivos. Compro camisetas com a capa dos livros impressas.
Neil (Gaiman) continuou dizendo que é parte de uma tribo de leitores, uma pequena minoria de pessoas pelo mundo que tem prazer em ler, comprando livros porque amam livros. Uma coisa que ele sabe sobre as pessoas que baixam seus livros na Internet sem permissão, é que são leitores, pessoas que amam os livros.
Aqueles que estudam os hábitos de pessoas que compram música, descobriram algo curioso. Os maiores piratas são também aqueles que mais gastam. Se você pirateia música a noite toda, existe a chance de que você também seja uma dessas poucas pessoas que vão a uma loja de discos (lembra-se delas?) durante o dia. Você provavelmente vai a shows no fim de semana, e provavelmente acompanha música. Se você é membro de uma tribo de viciados em música, você faz coisas que tem a ver com a música, desde cantar no chuveiro, à pagar por uma cópia em vinil de um raro disco pirata vindo do leste europeu, de uma das suas bandas favoritas de death-metal.
A mesma coisa acontece com os livros. Trabalhei em livrarias, sebos e bibliotecas. Já acessei sites piratas de ebooks (‘bookwarez’?) on-line. Sou um viciado em livros, e vou em feiras de livros por diversão. E sabe o que mais? São as mesmas pessoas em todos estes lugares: Pessoas que amam os livros e que fazem tudo que se pode fazer com um livro. Eu compro edições malucas, edições horríveis chinesas dos meus livros prediletos, por que são malucas e horríveis e ficam muitos bem entre as outras oito ou nove edições que eu paguei, destes mesmos livros. Procuro por livros na biblioteca, no Google, quando preciso de uma citação, carrego uma dezena deles no meu celular e centenas no meu laptop e tenho (hoje) mais de 10.000 livros guardados em um armazém em Londres, Los Angeles e Toronto.
Se eu pudesse emprestar todos os meus livros físicos, sem abrir mão da posse deles, eu o faria.
O fato de eu poder fazer isso com uma cópia digital não é um erro. É uma característica e uma das melhores.
Fico embaraçado ao ver todos estes escritores e músicos e artistas expressando pesar pelo fato de que a arte possui esta incômoda característica, esta capacidade de ser compartilhada. É como assistir donos de restaurante chorando por causa da nova máquina de comida grátis e que irá alimentar um mundo de gente faminta, e por que ela os forçará a reconsiderar seus modelos de negócios. Sim, irá requerer muito deles, mas não vamos perder de vista o que mais interessa: Comida grátis !!
Acesso universal ao conhecimento da humanidade está em nossas mãos pela primeira vez na história do mundo. Isso não é algo ruim.
No caso de não ser o bastante para você, aqui está o que considero a minha grande jogada, o porquê dar ebooks faz sentido hoje.
Dar ebooks me proporciona uma satisfação artística, moral e comercial.
A questão comercial é aquela que mais freqüentemente vem à tona: como dar seus livros de graça e ainda assim ganhar dinheiro?
Para mim, e para a maioria dos escritores, o grande problema não é a pirataria, mas o anonimato. (Agradeço a Tim O’Reilly por este precioso aforismo).
Todas as pessoas que deixam de comprar um livro hoje, na maioria, não o compraram por nunca terem ouvido falar que ele existe, não por que ganharam uma cópia de graça. Os mega-hiper-mais-vendidos livros de Ficção Científica(FC) vendem meio milhão de cópias - em um mundo em que um evento como a San Diego Comic Con sozinho recebe 175 mil pessoas, dá para imaginar que a maioria das pessoas que gostam de FC (e junto a isso coisas como quadrinhos, games, Linux e por ai vai) na verdade não compram livros.
Meu interesse maior é trazer maiores audiências para dentro deste círculo, mais do que garantir que cada um compre um ingresso para entrar.
Ebooks são verbos, não substantivos. Você os copia, é da natureza deles. E muitas das cópias tem um destino, uma pessoa para a qual ele foi planejado, uma transferência manual de uma pessoa para outra, guardando uma recomendação íntima entre duas pessoas que confiam uma na outra o suficiente para trocar bits. Este é o tipo de coisa com que os autores (deveriam) sonham.
Fazendo meus livros disponíveis para serem passados a frente, torno mais fácil para as pessoas que gostam deles, ajudar a outras pessoas a também gostarem deles.
E tem mais, eu não vejo ebooks substituindo os livros de papel para a maioria das pessoas. E não por que a tela do monitor não seja boa o bastante; se você for como eu, você já deve passar horas em frente a uma, lendo textos. Mas por mais que você goste desta ‘literatura de computador’, menos provavelmente você irá ler longos textos na tela, por que as pessoas que gostam de ficar na frente da tela, fazem muitas outras coisas. Nós estamos no Messenger, escrevendo e-mail, e usamos os navegadores de um milhão de maneiras diferentes. Temos os games rodando e infinitas possibilidades de músicas para ouvir. Quanto mais coisas você faz com seu computador, menos você se dedica a elas, pois a cada seis ou sete minutos começa algo diferente.
Isso faz com que o computador seja um meio extremamente ineficaz para longas leituras, a não ser que você possua a auto-disciplina de um monge.
A boa notícia (para os escritores) é que isso significa que os ebooks acabam sendo um incentivo a comprar o livro impresso (que é, afinal de contas, mais barato, fácil de ter e de usar) do que o seu substituto.
Você provavelmente vai ler o bastante do livro na tela para perceber que precisa o ler no papel.
Então ebooks vendem livros. Todo escritor que eu ouvi que distribuiu ebooks para promover
seus livros, voltou a fazê-lo de novo. Este é o lado comercial de dar ebooks de graça.
Agora o lado artístico. Estamos no século vinte e um. Copiar coisas nunca mais será mais difícil do que já é hoje (se isso acontecer será por que a civilização chegou ao seu fim e neste ponto, este será o menor dos problemas) Discos rígidos não serão mais enormes, caros ou com pequena capacidade. As redes não serão mais lentas e difíceis de acessar. Se você estiver fazendo arte sem levar em consideração de que ela será copiada, então realmente você não estará fazendo arte para o século vinte e um. Existe algo sedutor sobre fazer um trabalho que você não quer que seja copiado, da mesma maneira que é legal ir até uma vila dos pioneiros e ver como o ferreiro colocava ferraduras em um cavalo, em sua forja tradicional. Mas dificilmente, vai achar que isso possa ser contemporâneo. Sou um escritor de ficção cientifica. É o meu trabalho escrever sobre o futuro ou ao menos sobre o presente. Arte que não se supõe ser copiada é coisa do passado.
Finalmente, vamos ver pelo lado moral. Copiar é natural. É como nós aprendemos (copiando nossos pais e as pessoas ao nosso redor). A primeira história que escrevi, quando tinha seis anos, era uma versão excitante de Guerra nas Estrelas (Star Wars), que eu acabara de ver no cinema. Agora que a Internet (a mais eficiente máquina copiadora do mundo) se tornou presente em toda parte, nosso instinto de copiar só aparecerá mais e mais. Não há como impedir meus leitores de copiar meus livros e se eu o fizesse, seria um hipócrita. Quando eu tinha 17 eu gravava fitas, xerocava livros, tudo que eu podia. Se a Internet existisse na época, eu estaria usando-a para copiar o tanto quanto eu pudesse.
Não há como parar com isso, e as pessoas que tentarem terminar com isso estarão fazendo um mal maior do que a pirataria jamais o fará. A ridícula guerra sagrada da indústria contra aqueles que compartilham arquivos (mais de 20 mil fãs de música processados e contando) exemplifica o absurdo da coisa toda.
Se a escolha está entre permitir a cópia ou partir bufando contra tudo e contra todos, eu escolho a primeira.
Trecho retirado do livro 'Little Brother'.
sábado, 5 de abril de 2008
A alvorada de HAL - Entrevista com Arthur Charles Clarke - Notas e links
O PLANETA DOS MACACOS E O OSCAR
O filme ‘O Planeta dos Macacos’ (PLANET OF THE APES) foi baseado no romance de Pierre Boulle, dirigido por Franklin Schaffner e recebeu três indicações para o Oscar de 1968: Arranjo musical (Jerry Goldsmith), Figurino (Morton Haack) e Maquiagem (John Chambers). Ganhou com o último.
O CENÁRIO LUNAR
Havia uma teoria na época sobre uma conspiração ligando Stanley Kubrick e a NASA. Ele teria auxiliado na criação dos efeitos especiais utilizados na fraude do pouso lunar americano.
A imagem http://www.afraudedoseculo.com.br/images/kubrick3.jpg é do set do filme ‘2001’.
A RENÛNCIA QUE QUASE CANCELOU O FILME
Lyndon B. Johnson, líder político democrata, eleito vice-presidente de John Kennedy em 1960, assumiu a presidência dos EUA após o assassinato de Kennedy e foi o idealizador da ‘Grande Sociedade’. Sob seu governo, o país fez explorações espaciais espetaculares. Quando três astronautas orbitaram com sucesso a lua (Dezembro de 1968) Johnson disse:: "Vocês levaram todos nós, de todo o mundo, a uma nova era."
Apesar de ter sido reeleito em 1964, crises como a da questão racial e a situação no Vietnã, o levaram a entregar o cargo em 1968. Morreu cinco anos depois, de ataque cardíaco, em seu rancho no Texas.
BRITSH INTERPLANETARY SOCIETY (BIS)
A FAMOSA PARTIDA DE XADREZ ENTRE MÁQUINA E HOMEM
Em Maio de 1997 o supercomputador da IBM, Deep Blue, disputou várias partidas com o campeão mundial de xadrez da época, Garry Kasparov, derrotando-o. O evento foi transmitido pela Internet.
A BELL
Conhecida como Bell Labs ou hoje, AT&T Bell Laboratories, é uma empresa dedicada a pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e teve sua origem na Bell Telephone Company fundada em 1878 por Alexander Graham Bell.
ALAN TURINGA ENIGMA
Enigma era uma máquina usada para de/criptografar mensagens. Usada comercialmente desde 1920, foi adotada pela Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
A ilha de Sri Lanka, ou pequena lágrima da Índia, no passado conhecida como Serendib, Dharma e Ceilão, fica no sul da Ásia, a 31 km da Índia. Ex-colônia inglesa, é desde 1948, uma república independente.
Marvin Lee Minsky professor da MIT, formado em matemática pela Harvard e Princeton, é uma autoridade no campo da Inteligência Artificial, psicologia cognitiva, lingüística computacional, robótica e ótica. Trabalhou na construção do primeiro simulador de rede neural e colaborou no desenvolvimento das mãos mecânicas, no microscópio de varredura, no sintetizador musical e na linguagem Logo, entre outras invenções.
DAISY
A canção ‘Daisy Bell’, que faz parte da cultura popular inglesa, foi utilizada em 1962 pelo físico John Larry Kelly Jr. da Bell Labs, para demonstração do sintetizador de voz desenvolvido pela empresa. Arthur Clarke por coincidência visitava na época um amigo, John Pierce, na Bell Labs, e ficou tão impressionado que solicitou uma gravação para ser usada em ‘2001, Uma Odisséia no espaço’.
A letra: ‘ There is a flower within my heart / Daisy, Daisy / Planted one day by a glancing dart / Planted by Daisy Bell / Whether she loves me or loves me not / Sometimes it's hard to tell / Yet I am longing to share the lot / Of beautiful Daisy Bell / Daisy, Daisy, give me your answer do / I'm half crazy all for the love of you / It won't be a stylish marriage / I can't afford a carriage / But you'll look sweet upon the seat / Of a bicycle built for two / We will go 'tandem' as man and wife / Daisy, Daisy / Ped'ling away down the road of life / I and my Daisy Bell / When the road's dark, we can both despise / Policemen and lamps as well / There are bright lights in the dazzling eyes / Of beautiful Daisy Bell / I will stand by you in "wheel" or woe / Daisy, Daisy / You'll be the bell(e) which I'll ring you know / Sweet little Daisy Bell / You'll take the lead in each trip we take / Then if I don’t do well / I will permit you to use the brake / My beautiful Daisy Bell’
Big Brother é um personagem ficcional do romance 1984 (de George Orwell), o enigmático ditador de Oceania, um estado totalitário. Orwell descreve que todos nesta sociedade, são permanentemente mantidos sob a vigilância através da tele-telas. O povo é constantemente relembrado disso pela frase ‘Big Brother está vendo você’ e a sua representação lembra a aparência do ditador russo Stalin. O livro não deixa claro se Big Brother realmente existe como uma pessoa ou se é uma imagem criada pelo Partido que governa Oceania.
DOUG LENAT
Douglas B Lenat, matemático e físico, é presidente da Cycorp Inc. em Austin,Texas, e um proeminente pesquisador de inteligência artificial, engenharia ontológica, especialmente sobre ‘máquinas que aprendem’ (programa Eurisko). Trabalha também com simulações militares e ficou conhecido por um artigo criticando a validade do conceito de mutação randômica do Darwinismo.
SONHO E REALIDADE, O COMPUTADOR DE 2001
Como se construir HAL hoje, em 3 simples passos
Restaurando a reputação de HAL (Wired)
Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Parte 4
domingo, 14 de dezembro de 2008
DAILYLIT

Que tal ao invés de passar horas por semana lendo emails, usar este tempo para ler um livro ?
Esta é a proposta do site DAILYLIT.
Você escolhe um livro (em inglês) e todo dia o site te envia um pequeno trecho do livro, algo que leve mais ou menos, cinco minutos para ler.
Não somente no seu computador, mas também no seu PDA, Treo, Blackberry, Sidekick ou Iphone, e ainda é possível escolher receber por RSS.
É uma ideía legal para quem não tem tempo para se dedicar inteiramente, ou pra quem tem aquele tempo ocioso no ônibus, no metro, no caminho de volta pra casa ou no intervalo do almoço, etc.
O registro é gratuito e a maioria dos livros também.
Entre as várias opções, você encontra:
Future Imperfect - Keith Laumer
Little Brother - Cory Doctorow
1632 - Eric Flint
There Will be Dragons - John Ringo
Overclocked - Cory Doctorow
The Mysterious Island - Jules Verne
Star Soldiers - Andre Norton
Time Traders - Andre Norton
Interstellar Patrol - Anvil and Flint
Roo'd - Joshua Klein
The Night Land - William Hope
Dracula - Bram Stoker
Frankenstein - Mary Wollstonecraft Shelley
The Masque of the Red Death - Edgar Allan Poe
The Legend of Sleepy Hollow - Washington Irving
Dailylit
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Capacitor Fantástico
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sexta-feira, 17 de junho de 2011
Entrevista com Bruce Sterling
Gunhead: Sou um estudante e me considero um ciberpunk de segunda geração. Deram-me a missão de entrevistar alguém de uma subcultura para um trabalho acadêmico e percebi que seu nome estava sempre entre os mais citados na comunidade ciberpunk.
Bruce Sterling: O que tem em mente?
Gunhead: Uma das coisas que a comunidade tem falado muito é sobre a possibilidade da vida moderna se aproximar tanto da ficção ciberpunk, que o gênero literário se tornaria obsoleto. Qual sua opinião sobre isso, e como você acha que isso está afetando ou afetará a literatura ciberpunk?
Bruce: Bem, não há realmente como a vida moderna ficar semelhante à literatura, é o que diz Rudy Rucker visionário ciberpunk. O mundo não está ficando mais parecido com um romance de Pat Cadigan. Não vejo isso como um problema sério. Nenhum movimento literário se tornou obsoleto por suas histórias serem muito realistas.
O mundo parece muito com uma ficção ciberpunk na Rússia moderna, e lá nunca ninguém ligou para ciberpunk. Eu diria que as pessoas mais interessadas em ciberpunk hoje são provavelmente do Brasil e da África do Sul. Eu suspeito que seja porque suas sociedades atingiram um estágio de transição técnica, onde as pessoas se surpreendem e se excitam ao ver um monte de ciber-coisas acontecendo.
Pessoas de outros países que poderiam ter sido escritores cyberpunk já não se importam muito sobre nada "ciber." Eles provavelmente não tem muito tempo para escrever novelas. É preciso um determinado conjunto de circunstâncias históricas para alimentar um movimento como esse. Quando revistas, jornais e livrarias estão obsoletos, quando máquinas de escrever manuais são desconhecidas, você pode ser levado a achar que a cultura ciberpunk, criada no início de 1980, é em si mesma obsoleta. Não que os livros fossem de alguma forma proféticos, é que as circunstâncias mudaram.
Gunhead: Então neste caso, você vê o resto da subcultura como a moda, os filmes e a música, sobrevivendo sem este componente literário, ou você acha que terão que inventar algo novo?
Bruce: Bem, claramente o componente literário está em menos apuros do que os filmes e a música. Todas essas empresas que tinham raízes em meios analógicos de produção e distribuição tem problemas semelhantes.
A tendência é para uma cultura que não está nem mesmo ciente que é uma cibercultura, já que uma vez que tudo é ciber, nada é ciber, e o ciber fica banal e chato.
Escritores de ficção científica têm geralmente fortes interesses que não são tradicionalmente literários. Se você for ver, o que, digamos Cory Doctorow, é claro que ele não é um "autor típico”, mesmo assim escreve best-sellers. Neal Stephenson gosta de trabalhar em laboratórios de foguetes. William Gibson desenvolve e vende roupas. Eu passo meu tempo com designers industriais e pessoas que trabalham com realidade aumentada. É muito difícil dividir uma cibercultura em seus componentes. É tudo misturado.
O steampunk parece lidar com isso melhor. Há alguns romancistas steampunk, mas eles não são realmente considerados líderes criativos daquela cena. São as pessoas com hobbies tecnológicos, social-networkers que ditam o ritmo do steampunk.
Gunhead: Se essa é a tendência que a massa, o público em geral está seguindo, então não seria a reação da contracultura, óbvio, ganhar a consciência do 'ciber’? Hoje em dia, quanto mais você navega na rede mais poder você pode exercer, e temos visto algumas revoluções por conta disso... Você acha que ciberpunk se tornará mais sobre política e aspectos técnicos, como ocorre em Pequeno Irmão (Little Brother) de Doctorow?
Bruce: Não, não mesmo. A contracultura é como a sombra de uma cultura, não é o oposto de uma cultura. É como imaginar uma contracultura sem eletricidade. Uma vez que você obtêm energia elétrica confiável, não é mais revolucionária (como a eletricidade foi para Lênin).
Pequeno Irmão é principalmente sobre sindicatos. Talvez estes sindicatos industriais antiquados, que têm estado em declínio durante décadas, voltem como redes sociais radicais. Eu não diria que Cory está de alguma forma prevendo o inevitável, mas parece ao menos plausível.
Ciberpunks sempre tiveram um ponto fraco quanto à questão dos dissidentes da Europa oriental nos anos 80. Era tipo uma espécie de aliança literária obscura do período. No final desta década havia revoluções e as redes samizdat (prática de tornar público material censurado), mas nunca "exercendo seu poder".
É muito claro hoje que temos grandes divergências entre a antiga estrutura formal de poder - "a comunidade internacional" - e a da internet mundial, que é mais como um flash mob (multidão que aparece em locais pré-determinados e realiza uma atividade e se dispersa em poucos minutos). Haverá muito mais disso por ai, pirotecnia política, mas não faz muito sentido chamar isso de uma situação “ciberpunk moderna”. Os adolescentes líbios no Facebook que querem acabar com Gadaffi, esses caras são os revolucionários modernos, mas não são ciberpunks.
Gunhead: Interessante. Enquanto a comunidade vem tentado constantemente definir o termo ciberpunk e aprender a lidar com a aridez de livros ciberpunk, outros aspectos como a moda e o cinema continuam a evoluir. Bandas e músicos estão descrevendo-se como ciberpunks mais agora do que antes, parece que estamos caminhando na direção de uma subcultura tradicional. Você acha que vai decolar com a garotada, da mesma maneira que dizem a subcultura gótica fez?
Bruce: Não acho. O gótico já era bem sucedido, já tinha elementos comportamentais antigos de contracultura, é mais correto dizer que o gótico persistiu. Nunca houve muitos garotos ciberpunks. Os caras que inventaram o ciberpunk na década de 80 eram adultos em seus vinte e tantos anos, trinta até. Os adolescentes liam, mas ela não foi criada por adolescentes.
Brian Eno disse que a cultura popular evolui em um cenário a partir de uma adaptação mal compreendida do que está acontecendo em algum lugar distante. Existe um caso clássico com Lauren Beukes, que é uma jornalista de música de Cape Town, que após ter uma filha, decidiu tentar escrever romances ciberpunk ('Moxyland' se passava na Cidade do Cabo do futuro e 'Zoo City', uma história de ação que se passa em Johannesburg e venceu o prêmio Arthur C. Clarke de 2011). Lauren começou realmente escrevendo ciberpunk, mas também sobre "township tech", que é um tipo de tecno-music da África do sul. É impossível de prever que algo que foi inventado em Vancouver, Austin ou San Francisco, encontre eco na Cidade do Cabo ou São Paulo ou Belgrado. Pode acontecer ou não, ou pode acontecer em outro tempo e ter outro nome. Muitos críticos vêem o ciberpunk como um eco distante e tardio da Ficção Científica New Wave londrina Talvez tenha sido.
Gunhead: Talvez. Obrigado pelo seu tempo Bruce, foi um prazer conversar com você. Algo a dizer para o pessoal do Cyberpunk Review?
Bruce: Bem, é sempre bom compreender as ferramentas e as abordagens - o que as pessoas criativas estão fazendo e como o fizeram - então colocar coisas legais de que você gosta tudo junto e dizer: "Eu vou fazer desse jeito".
http://www.cyberpunkreview.com/
sábado, 24 de outubro de 2009
Pequeno Irmão - Cory Doctorow
O CAPACITOR FANTÁSTICO começa hoje a trazer para vocês, um livro que tem gerado boas críticas, indicado a diversos prêmios e que foi escrito por um dos autores de ficção mais interessantes e antenado dos últimos tempos: CORY DOCTOROW.
A cada sábado, um capítulo de Pequeno Irmão (Little Brother).
Se desejar baixar o livro completo em inglês, use este link.
Esta versão em português é exclusividade do CAPACITOR FANTÁSTICO, e já foi enviada para Cory, que respondeu dizendo que adorou a iniciativa.
Divirtam-se !
quarta-feira, 25 de maio de 2011
O Fundo do Poço no Reino Encantado - Cory Doctorow
O escritor de ficção científica canadense Cory Doctorow, é figurinha carimbada aqui no Capacitor Fantástico. Ele é autor, entre outros livros, do premiado 'Little Brother', que você encontra aqui, traduzido para o português com o nome 'Pequeno Irmão'.
Em seu site Craphound, Doctorow disponibiliza sob a licença da Creative Commons, todos seus livros gratuitamente, além de ser um incentivador de intervenções e traduções de sua obra para outros idiomas.
Lá você pode achar, por exemplo, 'Down and Out in the Magic Kingdom' traduzido para o português (excelente tradução de José Rafael de Macedo Zulio), com o singelo nome de 'O Fundo do Poço no Reino Encantado'. Se preferir baixe a versão em formato PDF.
sábado, 27 de março de 2010
Pequeno Irmão - Cory Doctorow
Chegamos ao fim de uma experiência nova e gratificante para nós, e gostaríamos de agradecer as pessoas que tornaram possível que ela ocorresse.
Queremos agradecer principalmente ao autor, Cory Doctorow.
O Capacitor Fantástico agradece também ao Will, CHeta e Blek, este último em especial, que teve a ideia e bancou tudo sozinho, por acreditar nas ideias disseminadas por Cory e por outras pessoas, e que foi tão prestativo. Obrigado camaradas !
Little Brother (Pequeno Irmão) está disponível na integra, em português, para ser lido. Se você gostou, recomende a leitura aos seus amigos!
Esperamos que em breve, possamos ter livros semelhantes, disponíveis para todos, na rede ou nas prateleiras.
Pequeno Irmão - Cory Doctorow [ Download ]
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Quando a Ficção Científica vira realidade: ParanoidLinux e Cory Doctorow

"Meu favorito era o ParanoidXbox, um tipo de ParanoidLinux. ParanoidLinux é um sistema operacional que assume que seu operador está sob a censura de um governo (foi intencionalmente criado para uso dos dissidentes da China e da Síria) e faz todo o possível para manter suas comunicações e documentos em segredo. Ele até dispara um monte de comunicações falsas que supostamente disfarçam o fato de você estar fazendo algo às escondidas. Então, enquanto você está recebendo uma mensagem política, um caracter por vez, ParanoidLinux finge surfar na Web e preencher questionários, estar namorando em salas de bate-papo. Enquanto isso, um em cada quinhentos caracteres que você recebe é a mensagem verdadeira, uma agulha escondida em um palheiro." (Little Brother - Cory Doctorow)
[ Se o fato da distribuição do ParanoidLinux (agora no estágio alfa-alfa) ser baseado em um livro de Ficção Científica não é inquietante, considerando duas questões.
A primeira é que em certas áreas do mundo onde ocorre censura, um sistema operacional que garanta anonimato ao seu usuario pode, literalmente salvar vidas... ]
ParanoidLinux
quinta-feira, 16 de abril de 2009
2009 World Science Fiction Convention e Prêmio Hugo

A Convenção Mundial de Ficção Científica de 2009 ocorrerá de 06 a 10 de Agosto em Quebec, Montreal, atraindo milhares de fãs de todo o mundo, como todos os anos.
A programação completa, no site oficial.
Os candidatos para 2009:Best Novel
Anathem by Neal Stephenson (Morrow; Atlantic UK)
The Graveyard Book by Neil Gaiman (HarperCollins; Bloomsbury UK)
Little Brother by Cory Doctorow (Tor Teen; HarperVoyager UK)
Saturn’s Children by Charles Stross (Ace; Orbit UK)
Zoe’s Tale by John Scalzi (Tor)
Best Novella
The Erdmann Nexus by Nancy Kress (Asimov’s Oct/Nov 2008)
The Political Prisoner by Charles Coleman Finlay (F&SF Aug 2008)
The Tear by Ian McDonald (Galactic Empires)
True Names by Benjamin Rosenbaum & Cory Doctorow (Fast Forward 2)
Truth by Robert Reed (Asimov’s Oct/Nov 2008)
Best Novelette
Alastair Baffle’s Emporium of Wonders by Mike Resnick (Asimov’s Jan 2008)
The Gambler by Paolo Bacigalupi (Fast Forward 2)
Pride and Prometheus by John Kessel (F&SF Jan 2008)
The Ray-Gun: A Love Story by James Alan Gardner (Asimov’s Feb 2008)
Shoggoths in Bloom by Elizabeth Bear (Asimov’s Mar 2008)
Best Short Story
26 Monkeys, Also the Abyss by Kij Johnson (Asimov’s Jul 2008)
Article of Faith by Mike Resnick (Baen’s Universe Oct 2008)
Evil Robot Monkey by Mary Robinette Kowal (The Solaris Book of New Science Fiction, Vol.2)
Exhalation by Ted Chiang (Eclipse Two)
From Babel’s Fall’n Glory We Fled by Michael Swanwick (Asimov’s Feb 2008)
A lista completa dos indicados no site Hugo Awards
















